Ao navegarmos pelas redes sociais, somos constantemente estimulados por conteúdos que geram desejo e insatisfação simultaneamente. A promessa implícita de que determinada informação, interação ou reconhecimento trará uma sensação de completude nunca se concretiza plenamente. Assim, continuamos a rolar a tela, assistir a mais vídeos e buscar novas interações, perpetuando um ciclo sem fim.
Lacan, ao analisar o capitalismo, descreveu uma estrutura discursiva que elimina a falta e promove um circuito de consumo contínuo. Diferente de outros discursos, que incluem momentos de reflexão ou de interrupção, o discurso capitalista opera sem freios, incentivando o desejo de forma incessante. Essa lógica é a base da publicidade e do marketing digital, que não apenas vendem produtos, mas também vendem estilos de vida, experiências e identidades.
Nas redes sociais, esse mecanismo se intensifica. O feed infinito, os algoritmos personalizados e a busca por curtidas e reconhecimento reforçam a ideia de que há sempre algo mais a ser alcançado, levando o usuário a um consumo que não é apenas material, mas simbólico.
O inconsciente é a história de um sujeito contada por outro.” – Jacques Lacan
Freud nos ensinou que a mente nunca descansa porque está sempre lidando com as tensões entre o Id, o Ego e o Superego. O desejo nunca se satisfaz completamente, pois, ao alcançar um objetivo, novos desejos surgem. Esse funcionamento da psique encontra um espelho perfeito na lógica das redes sociais, onde cada interação gera novas expectativas e necessidades.
Além disso, o inconsciente trabalha incessantemente, trazendo à tona desejos reprimidos e lacunas que buscamos preencher – seja com bens materiais, experiências ou com a aprovação social no ambiente digital. Assim, tanto a estrutura psíquica quanto o discurso capitalista e as redes sociais operam em uma lógica de repetição e consumo incessante.


Conclusão com pontos principais
Seja na economia, na internet ou na mente humana, o ciclo do desejo nunca se fecha completamente. No entanto, a psicanálise sugere que a conscientização desse mecanismo possa ajudar a minimizar sua força. Questionar o que realmente buscamos quando interagimos nas redes sociais e entender que a falta é uma parte inevitável da experiência humana pode ser um primeiro passo para escapar da lógica circular que nos prende ao consumo sem fim.
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